quinta-feira, 4 de julho de 2013

A POESIA É TERRA DE CULTIVO

A poesia é terra de cultivo.
Só por um triz me sinto vivo.


Jorge, Cecília, Murilo, Drummond,
terra-roxa onde tudo brota,


qualquer expressão previsível
e outras fora de rota.


Murilo, Drummond, Jorge, Cecília,
me deem um pouco de água fresca,


me deem um apanágio
no amanhã surpreendente.


Jorge, Drummond, Cecília, Murilo,
cheguem aqui, me ensinem


o cultivo de espécies nativas:
saudade, inquietação,


suingue, suor, assombro,
o verso que se parte em dois.


Drummond, Cecília, Murilo, Jorge,
não me deixem tão desamparado!

Sou lavrador de terra intangível
que pelo visto nunca acaba.

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