A poesia é terra de cultivo.
Só por um triz me sinto vivo.
Jorge, Cecília, Murilo, Drummond,
terra-roxa onde tudo brota,
qualquer expressão previsível
e outras fora de rota.
Murilo, Drummond, Jorge, Cecília,
me deem um pouco de água fresca,
me deem um apanágio
no amanhã surpreendente.
Jorge, Drummond, Cecília, Murilo,
cheguem aqui, me ensinem
o cultivo de espécies nativas:
saudade, inquietação,
suingue, suor, assombro,
o verso que se parte em dois.
Drummond, Cecília, Murilo, Jorge,
não me deixem tão desamparado!
Sou lavrador de terra intangível
que pelo visto nunca acaba.
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