quinta-feira, 11 de julho de 2013

ORIGEM

Como de macacos surgiram
esses entes tão grandes e astutos
capazes de inquirir a Lua
e obrar morticínios
e varar descampados
e instituir leis, 
capazes de erigir um deus
num altar inútil
porque deuses eram eles
em sua sede de vingança
contra o deus-macaco que nunca existiu?

Como, me digam, como
dos grandes macacos vieram
macacos astrofísicos, equipados
com tecnologia e tolice,
o afã dos afazeres
secundado pelas vacinas
contra tudo o que eles não são,
dissecados em suas fibras
musculares? Mas o cérebro
é o músculo que comanda,
mesmo sendo o mais tenro.

Macacos de cérebro fremente
latejando em ambição e dor,
macacos de beleza. São donos
da Terra por merecimento.
Mas curiosamente suicidas:
como se a beleza em vinte dedos
fosse insuportável, e de vinte
milênios não aprendessem nada,
condenados a repetir,
interrogar o céu em seu fingir,
atônitos diante do porvir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário