(para Jean de Brunhoff, criador do elefante Babar)
Dos elefantinhos que me lembro,
um segurava a cauda
do outro, que atento
ao próximo, sua cauda
segurava, por mania
de contribuição,
de integrar sua tromba
no grande unison.
Do que me lembro, o elefantinho
tinha boné rajado
e ar de turista
trafegando pelos
bulevares com seus cafés
e crianças andando em bicicletas
(aquelas de rodas grandes)
no silêncio das aleias.
Elefantinho branco
no teatro de fantoches
e tudo sem afetação:
elefantes saúdam
sua humanização
sobre os paralelepípedos
de uma cidade cheia
de balões azuis.
O elefantinho desfila
com sua cria,
o chapéu com tira ao vento,
ele sempre atento
ao pináculo da Tour Eiffel
e de outras torres
das quais nossa infância
se alimentou.
Elefantinho se une
às sombras na parede
até nossa sombra
ser só invenção,
ele que já esteve nu,
já desfilou na manada,
seu barrido agora
pop-ressoando.
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