"There is a pleasure in the pathless woods,
There is a rapture on the lonely shore,
There is society where none intrudes,
By the deep Sea, and music in its roar:
I love not Man the less, but Nature more."
-- Lorde Byron em "Childe Harold's Pilgrimage"
Há prazer nos bosques sem caminhos,
nas inacessíveis fendas, nos abismos,
pois nós também fabricamos abismos,
mas são espasmos de amador. O amor
só se revela a mil no desapego.
Quando estamos vazios, estamos cheios.
Faz ainda pouco tempo arborícolas,
mais alto subíamos pra abarcar
o horizonte redondo a perder de vista.
Há prazer em ser simples, ser sozinho.
Quando o vento inflige seu chicote
e nos penteia a alma em seu galope
e dizemos adeus ao passado sabido
(pois tudo o que se sabe é morticínio),
boas-vindas damos a esse lote
que é sociedade de um homem só,
não desgarrado ou diferente, mas
em paz com a maré baixa e lúgubre
ou alta e borbulhante e estulta,
ou ainda sem haver maré nenhuma.
A natureza começa pelos pés.
O andar de caranguejo, de viés.
Andar sempre, cavalgar as cercanias,
interrogar a mata e seus atalhos
que levam ao estrondo das cascatas,
que mais se há de querer? Não as gentes
detesto, antes por minha bússola
vou seguindo a trilha solitária
perfumada por árvores antigas
que antes de eu nascer me conheciam.
Aprazer-se com ocupações banais
como aspirar o ar em cachos,
apreciar o vale recortado,
acender um fogo na clareira,
tomar mate na cuia, contar
as dobras infindáveis do riacho,
e amanhã pode não haver mais nada
que tudo já teremos inalado,
até onde Deus, em sua sabedoria,
permitiu que pudéssemos gozar.
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