Estão comigo
há tanto tempo
mas ainda não sei
se vieram do espaço
de onde basta mirar
pra sermos antepassados,
se vieram das lajes
de nosso subsolo
cheio de inquietação,
se vieram das teias
que os sonhos urdem
sorrateiramente,
ou de uma dimensão
tão próxima a ponto
de ninguém suspeitá-la.
Conheço seus dedos
que afundam na carne.
Quando vocês
também estiverem aqui,
verão seus olhos metálicos
e seus braços compridos
pra abarcar a ambição
de nós humanos,
o intestino alinhado
ao coração e ao cérebro,
todos num projeto
de decifração.
Só se pode conversar
com eles numa cápsula
de austero silêncio
e último segredo.
É fácil confundir
seu idioma críptico
com a voz de seres passados
que não tiveram a mesma sorte.
Alienígenas
souberam sempre
que não somos um,
somos outro que
suspira e flutua
um pouco às cegas,
esperando sua vez
pra embarcar na próxima
revolução.
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