(para os estudantes da UnB)
Acredito no luxo.
Quem gosta de lixo é intelectual.
Já imaginou todas as pessoas se beijando?
Já imaginou essa cadeia
implementando outras brincadeiras
e deixando o mundo menos sério,
o mundo regrado
pelos programas de recompensa,
quando a única recompensa é a certeza
de um dia morrermos?
Acredito no abuso.
Beijaço! Quero ver minas e manos
se beijando acintosamente,
dando risada e bebendo cerveja,
fazendo do vão da faculdade espaço agrário,
terreno de labuta ao contrário,
sim: pai beijando a filha,
avó beijando o neto, irmãos
se abraçando, policial saudando o vizinho,
nadadores, pilotos, operários lado a lado,
eu sorrindo pro dono da banca de jornais,
eu e minha mãe dançando bolero
e sobretudo namorados se beijando
em qualquer instância que nos teste
(aqui ou na órbita terrestre).
Dos labiais sinais construímos nossa raça.
Fizemos malabarismos a partir
dos poderes da comunicação.
Fizemos virtude de sinais virtuais,
mas virtude maior não existe:
beijar um bebê, pra que ele entenda
que só o amor nos faz continuar.
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