(para Steven Soderbergh)
De onde veio este vírus?
Quem inventou a mentira?
Viemos aqui pra comemorar,
pra andar a esmo,
pra exaurir o que nos foi dado em triplo?
Nunca fizemos as pazes com a natureza.
Nunca reconhecemos nossa origem.
Temos memória curta, e curta
será nossa agonia. Aquele um
tinha qualidades e defeitos,
outra traía o marido, outro
era médico respeitado,
outro era zelador de um prédio.
Todos sucumbiram.
Todos se congregam
na esteira rolante de um aeroporto,
atentos ao painel digital,
tentando decifrar a hora e o lugar.
O lugar parece
bem físico, sinalizado
no que diz respeito às entradas e saídas,
regras jurídicas do que podemos
ou não fazer, e com sorte
possuiremos um naco do planeta
onde nossas raízes se finquem.
A hora nos encara no agora.
No final deste verso já acabou.
A hora é onde sonham os poetas,
onde procuram um antídoto
em seu laboratório de milênios
porque em nosso fazer há fatalismo,
medo, empáfia, ignorância,
e nós sempre interrogando o relógio,
como se neste quadrante
fôssemos encontrar resposta.
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