Depois do crepúsculo,
a chama arde.
Chegou a hora
de abrir uma garrafa de vinho.
Dizem que algumas pessoas
têm ereção na hora da morte.
O amor é antídoto
pra qualquer demagogia.
É roteiro
de unânime trilha.
O coração é devasso.
Nossa vida é lapso.
O amor é eterno,
no céu ou no inferno.
Jiddu Krishnamurti
ensinou o amor universal
que vem de abrir a mente,
varrer os condicionamentos,
livrar a vontade,
dizer a verdade,
dizer que te amo
antes de qualquer noção.
Segundo Krishnamurti,
o conhecimento acontece depois.
Primeiro acontece o amor.
Nascemos tateando.
É como nas canções dos Beatles:
she loves you, yeah yeah yeah.
O amor é coisa de cambista.
Eu troco seis por meia dúzia.
Troco meu indivíduo
por tua cara risonha,
teu passado,
teu penteado.
O amor vem das cavernas de Cro-Magnon.
É servidão, grafite, bruxaria.
Um sentido onde não havia.
Aos judeus peço perdão.
Aos muçulmanos estendo minha mão.
Aos budistas faço oração.
Aos ateus digo: irmãos.
E aos cristãos digo que Cristo
pregou o amor
e, depois de três dias,
a Ressurreição.
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