domingo, 9 de junho de 2013

O AMOR CHEGA TARDE

Depois do crepúsculo,
a chama arde.
Chegou a hora
de abrir uma garrafa de vinho.


Dizem que algumas pessoas
têm ereção na hora da morte.


O amor é antídoto
pra qualquer demagogia.
É roteiro
de unânime trilha.


O coração é devasso.
Nossa vida é lapso.
O amor é eterno,
no céu ou no inferno.


Jiddu Krishnamurti
ensinou o amor universal
que vem de abrir a mente,
varrer os condicionamentos,
livrar a vontade,
dizer a verdade,
dizer que te amo
antes de qualquer noção.


Segundo Krishnamurti,
o conhecimento acontece depois.
Primeiro acontece o amor.
Nascemos tateando.


É como nas canções dos Beatles:
she loves you, yeah yeah yeah.


O amor é coisa de cambista.
Eu troco seis por meia dúzia.
Troco meu indivíduo
por tua cara risonha,
teu passado,
teu penteado.


O amor vem das cavernas de Cro-Magnon.
É servidão, grafite, bruxaria.
Um sentido onde não havia.


Aos judeus peço perdão.
Aos muçulmanos estendo minha mão.
Aos budistas faço oração.
Aos ateus digo: irmãos.


E aos cristãos digo que Cristo
pregou o amor
e, depois de três dias,
a Ressurreição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário