Asteroides só podem
ser compreendidos pela
engenharia reversa.
Quem nos trouxe aqui?
As rugas da pedra
sabem o mesmo atrito,
aquela comichão
que nos fez inimigos?
As rochas despencam
e lotam os vales.
Já fizemos a ronda
daqui até a última órbita.
O universo é negro
como negros são
a cavidade dos olhos
e o palato da boca.
Asteroides brutos
que exalam fumo
de tantas viagens
e ficaram mudos
de tanto silêncio
e não nos disseram:
por onde andamos,
haverá volta?
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