domingo, 9 de junho de 2013

E A MORTE NÃO HÁ DE TER DOMÍNIO

(segundo o poeta galês Dylan Thomas)

E a morte não há de ter domínio.
Defuntos nus, eles hão de se unir
Ao homem no vento e na lua a ocidente;
Seus ossos escovados e idos os ossos limpos,
Eles terão estrelas nos cotovelos e nos pés;
Ainda que enlouqueçam, terão juízo,
Ainda que afundem no mar, hão de ressurgir;
Podem os amantes se perder, mas não o amor;
E a morte não há de ter domínio.


E a morte não há de ter domínio.
Sob as circunvoluções do mar,
Seu jazer ali não morrerá ao vento;
Torcidos em cavaletes ao ceder dos ligamentos,
Atados à roda, ainda assim não se quebrantarão;
A fé se partirá em dois em suas mãos
E os atravessarão os demônios unicornes;
Mas não cederão, por mais que arrebentem;
E a morte não há de ter domínio.


E a morte não há de ter domínio.
Não mais as gaivotas gritarão em seus ouvidos,
Nem as vagas quebrarão ruidosamente nas praias;
Onde uma flor se abria, pode flor alguma
Erguer sua fronte sob os látegos da chuva;
Mesmo que dementes e mortos como pregos,
Suas cabeças pulsarão através de margaridas;
Hão de irromper ao sol até que o sol sucumba,
E a morte não há de ter domínio.

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