domingo, 9 de junho de 2013

SALMO PARA WALT WHITMAN

Walt usava versos bem compridos, versos que vêm do coração.
Versos que irrompem de uma bolha da qual não se tem noção.


Walt foi um homem democrático, irracionalista, pé no chão.
Mas também há racionalidade no amor de irmão para outro irmão.


Walt era barbudo... meu parente, meu espelho, meu profeta!
Quem me dera ter barba e cabeleira... num século tão careca.


Walt foi um desbravador, um subversivo, um pioneiro.
Talvez tenha nascido nos EUA, mas no fundo era brasileiro.


Sua voz tinha a potência das ervas e rebentos,
tudo o que o mundo é, toda a natureza e seus eventos.


Se é pra explicar alguma coisa, melhor explicar tudo.
Por mais que seja estranho, ou rude, ou feio, ou cabeludo.


Walt não tinha medo de nada: era argonauta!
Era um homem chão, ignorante, incrédulo, sem mancha e sem falta.


Walt foi um alto-falante, mas sem tecnologia.
Era a voz que vem da fonte, da veia, da dor, da alegria!


Walt Whitman, és meu filho, meu pai e meu vizinho.
Todos os dias te digo alô com respeito e carinho.


Walt, aqui estás em carne e osso, até que enfim.
Te esperei desde antes de nascer, e agora sim.


Diante de Walt, sou apenas testemunha, sou cronista...
Mas a vida recomeça de fato a cada nova entrevista...

Nenhum comentário:

Postar um comentário