(para Carlos Drummond)
Tinha uma pedra no meio do rim,
um sopro no insensato coração.
Tinha um câncer no esôfago fortuito,
incapaz de cumprir sua função.
Tinha um coágulo em plena aorta,
impedindo a circulação.
Tinha sóis fictícios no olho,
cujo globo renegou a visão.
Nunca me esquecerei deste acontecimento
na minha vida de perguntas penduradas,
cabides sem arrumar.
Nunca me esquecerei que no meu corpo
tinha uma pedra de ângulos
impossíveis de explicar.
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