(para Juvenal de Souza Neto,
"flagrado pela vida em abandono,
porque nossa vida não tem dono")
Os anjos não se sabem.
Também, como haveriam
de se saber se são anteriores
a toda representação,
sílabas balbuciadas,
gestos toscos
dos quais nos arrependemos depois?
Anônimos, eles vagueiam
quase sem sentir por onde andam
e ao cruzar com eles
você poderia achar
ter sido bafejado.
Pobres anjos,
aqui na Terra são só
vítimas de sequestro,
esquecidos de sua origem.
Por mais que tenham vindo
de uma instância mais nítida,
não podem quase nada
contra nossa obstinação,
e por isso se eclipsam.
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