domingo, 9 de junho de 2013

ASTRONAUTAS

Nossa sina é orbitar.
Não gira o universo
ao redor de nosso umbigo ambíguo,
nem piscam estrelas por nossa causa,
nem saberemos o que ocultam
os meandros das membranas
de nosso globo ocular.


Antes orbitar ao contrário,
que ao menos não fiquemos
ao relento, nus,
nenhuns, mas como
donos de nosso destino,
inventores de um arbítrio
sem saber pra que serve.


Fizemos orbitar à nossa volta
os seres e as benesses
com mais ânsia ainda
pra excluir a volta atrás,
obliterar nossa origem,
fingir um chão em nossa
flutuante condição.


Foi uma aventura e tanto
do vômito à glória,
OK. E o tempo todo
nós é que orbitávamos
"e pur si muove", por um
efeito de ilusão ótica,
como no filme Solaris.


Só podemos nos ver
pelo reflexo, como a Lua
se vê refletida nos lagos
e nas varandas
e nas ambições humanas
felizes ou infelizes,
não faz diferença.


Astronautas, se ao menos
soubéssemos a fissão
que nos trouxe aqui,
pra que todo desejo
percebesse que é
ficção, e de acordo
se deixasse ir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário