domingo, 9 de junho de 2013

VÊNUS RAPAZ

(para Björk)

Ele é tão belo
que chega a ser ela. A Criação
se fez inconscientemente.
Somos filhos do pó, dos cipós,
de formas de vida persistentes
onde tudo poderia ter falhado,
antes que uma faísca
rasgasse no tecido morto.


Ele é belo! Rapaz-moça
é meu norte por onde eu andar,
meu polo, meu Apolo, o balcão
onde deposito minhas perguntas,
por exemplo: existe vida
após a morte, a vida em dobro,
e de onde viemos, as dobras
intestinais fabricando sobras
por onde nunca andaremos,
e sempre a ânsia no final,
a ânsia do belo,
do cantor sobraçando a lira,
desafiando toda mentira
e um raio qualquer que nos fira.


Força, doçura...
No ringue do macho
suaram suas formas quadradas,
sua presença, seu arfar,
como se a vida fosse pose,
pois ele/ela brilha em qualquer gesto.
Se houver chuva, um sorriso ilumina.
Se houver perigo, um braço ampara.


ELE ACREDITA NO HUMOR...
ELE ACREDITA NA BELEZA...
Beleza do rosto pulsando
em tantos traços que a vida escalavrou,
mas ele/ela parece que saiu ileso,
o peito exibindo dois mamilos,
a virilha exibindo sexo explícito.


Diante disso, só podemos nos calar.
Só podemos acreditar no improvável
de todos sermos belos,
de a humanidade conciliar macho e fêmea,
conciliar natureza e empreendimento,
conciliar o futuro com a origem
no ele/ela que Björk antevia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário