Viajo leve
com na mochila só o indispensável:
um Lied de Schubert,
um poema de Pessoa
e um malmequer prensado
nas dobras do passado.
Viajo leve
sabendo que todo ser é indefinível.
Melhor esvaziar os bolsos,
deixar as recordações pra trás,
confiar no presente,
nas pedras que se há de trilhar
até a do rio cabeceira.
Cabeceira tênue...
Amor tão breve...
Viajo por onde os pés aguentam
e mais ainda, porque meus pés
são só manifestações físicas.
A estrada preexiste
a toda poeira
e a toda poesia.
Viajo leve
porque não sei nada
e a todos os amigos interrogo
e aos inimigos desafio,
pés descalços trilhando,
buscando uma resposta
para a única pergunta que importa:
aonde vamos?
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