sábado, 8 de junho de 2013

COORDENADAS DE ESPAÇO-TEMPO

Minhas coordenadas de espaço-tempo (CET)
são: o lugar onde nasci,
o lugar onde vou morrer,
meus pais, meu melhor amigo,
os livros que li, Stendhal,
música de cravo e clavicórdio,
quintessência de outros pensamentos
e contemplação do espaço interestelar.

Desde o começo eu sabia
que existe energia no vácuo.
Viemos da propulsão.
Não pode existir vácuo inativo,
pois ele acarretaria a morte do universo.

O vácuo é vida, ainda que subliminar,
como nos lembrarmos de um acontecimento futuro,
como a possibilidade infinita
de os cacos de um vaso quebrado se juntarem de novo
no vaso original. Não há origem.

Eu, que existo, existi desde sempre.
O tempo é ficção. É só
função da necessidade de expansão,
pois sem espaço não haveria tempo.

Sou Buda. Posso reverter
os acontecimentos, por exemplo:
fazer não existir a Segunda Guerra Mundial,
rever minha primeira namorada,
organizar uma festa
às margens do lago Titicaca.

Sou nada. Posso reverter
os átomos que me constituem,
a excepcionalidade da vida,
sempre em luta contra os acontecimentos.

A vida retrocede,
embora pareça avançar. Somos
aquilo que fomos.
Meu poema agora é um flash
de um poema que sempre existiu.

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