(para Arthur Rimbaud)
Quem é capaz
de de novo mapear?
Dizer o amor
preto no branco, e já?
Pouca gente sabe
a hora e o lugar.
As juras que fizemos
ficaram pra trás.
O silêncio é nu.
No aperto, somos um.
O que os lábios dizem
logo se contradiz.
O gesto que fizemos
vira cicatriz.
Será Arthur capaz
de aqui desnudar?
Precisamos de
mais nítidas palavras.
Roupas mais simples,
caras mais limpas.
Zerar os registros,
cultivar o enxergar.
Vidência é algo
pra se conquistar.
Vidência dos olhos,
das mãos e dos pés.
Cada parte do corpo
vê o que puder.
Por trás da renda
das cortinas havia
visões que não vi.
Mas Arthur sabia.
Arthur se entregou
por onde passou.
Sim, devemos tentar
de novo mapear.
O eu é o outro.
O outro sabe mais.
Mas quem é capaz
de aqui recomeçar?
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