Lembranças de guerra grudam.
Tempos onde alguns nabos
alimentavam uma família inteira.
Tempos de espiar pela fresta
com a respiração presa.
A contagem começa
quando os relógios zeram.
Os detritos não assentaram ainda.
O céu é uma lembrança de gases,
de seres humanos tentando
se igualar aos deuses,
fazer barulho,
orquestrar a Criação
pra nunca haver um sim depois do não.
Nessa guerra perdi meus pais,
meu irmão caçula, que uma vez tocou piano,
o baú onde eu guardava brinquedos,
um cinzeiro em forma de abelha,
o dicionário de rimas,
o pulôver de quando eu tive bronquite,
minha mãe cantando "Marlbrough s'en va-t-en guerre".
Por que precisamos de guerras?
Talvez pra nos sabermos perecíveis.
Nosso destino não está aqui.
Antes temos de nos confrontar,
medir com esquadro nossa coragem,
investigar a vida em seu avesso,
tão tênue ainda, se houve alguma vez.
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