Surfando entre os versos eu destoo
na ânsia de levantar voo
nas asas da Pan-Air.
Mas não dá.
Talvez meu negócio seja o chão.
Me arrastando no chão sinto tremores
que lembram guerra e obus.
Aqui não há luz.
Então volto a sonhar
com cúmulos e nimbos, amplidão.
Voando na amplidão sinto vertigem,
sinto vergonha de minha origem,
meus pés simples.
Talvez seja mais fácil percorrer
pedaços do sertão.
Percorrendo o sertão sinto saudades
de uma cidade onde fui feliz,
sem saber que horas são.
Então, abro asas de novo
tentando conversar com Gabriel.
A luz me cega lá no céu,
com seus corredores de algodão.
Mas quem vai me aquecer
se esfriar de repente?
No solo (sabujo),
farejo um rastro.
A vida brota
da maçaroca úmida.
A felicidade nasce
e toma impulso
a partir do chão.
Por isso os irmãos Smith
(ou Santos Dumont)
inventaram o avião.
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