domingo, 9 de junho de 2013

CANÇÃO DA TORRE MAIS ALTA

(segundo Arthur Rimbaud)


Juventude vadia
que atende a tudo,
só por gentileza
perdi minha vida.
Pois venham os tempos
em que o amor ganha alento.


Eu disse: deixa disso,
que ninguém te veja.
E sem a promessa
de alegria plena.
Nada pode deter
este augusto reduto.


Tanto já esperei
que nunca me esqueço:
temores e dores
ao céu ascenderam.
E a sede malsã
turva minhas veias.


Por isso a planície,
entregue ao olvido,
engrandecida de flores,
de incenso, de joio,
sob o ataque abrupto
de mil moscas sujas.


Ah, que tanta viuvez
de alma tão pobre
que só tem a imagem
de Nossa Senhora?
Alguém reza aí
pela Virgem Maria?


Juventude vadia
que atende a tudo,
só por gentileza
perdi minha vida.
Pois venham os tempos
em que o amor ganha alento.

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