domingo, 9 de junho de 2013

JARDINS SOB A CHUVA

(para Vincent van Gogh)

O pé-d'água fez borrar a aleia,
com seu cheiro impregnando a veia.
A chuva nos congrega netse bojo,
destilando um fermento outro.


O vento penteia este quintal.
É um vento caprichoso, em espiral.
Talvez Vincent soubesse
interpretar a cor deste sinal.


Dá-me campos de tulipas, dá-me
aleias a perder de vista, dá-me
o bulbo da esperança como nuvem,
desvendando-se sob a penugem.


Sou ave (todos somos), sou pomba
mais reles arrulhando pronto
pra esse ardor nunca perder de vista,
minha origem aqui, nesta visita.

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