sábado, 8 de junho de 2013

ANNABEL LEE

(para Edgar Allan Poe)

Todos os reinos estão fincados à beira-mar.
Todos os poetas olham pra longe.
Todo amor trai por onde fomos.


O reino só se faz quando há desejo,
e todo desejo é intempestivo.
Bolas de feno rolam na planície.


Naquele reino (como todos sabem)
vivemos eu e Annabel Lee.
Mas os anjos a invejaram (e a mim).


Anjos estúpidos não sabiam
que éramos só crianças
entre o reino e o mar. Mas o vento


trouxe uma perversa epidemia
que a poesia não explica.
Nuvens se armaram sobre vagas,


empurraram sargaços na areia
e determinaram aquele vírus.
Minha Annabel soçobrou ali.


O frio se tornou meu amigo
e nele me abriguei pra sempre,
junto com minha Annabel Lee.

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