(para Pessoa, sempre)
Choveu granizo
na minha lembrança
que cruzou o pórtico
de pedra roída
até ser banhada
pela luz oblíqua.
Levantou poeira
meu passo indeciso
amalgamando ecos
de criaturas idas
e meios-tons de outono
entre galerias.
No pátio deserto
olhei em volta
e distingui violinos
fazendo soar
uma sonata acre
de fundos suspiros.
Meu olhar pra baixo
contou folhas secas
esparsas, à espera.
Minha mão à esquerda
e o rosto à direita:
o amor já se fora.
Foi como apagarem
a luz na mais alta
das águas-furtadas.
Pus as mãos nos bolsos
e voltei pra casa
contemplando: nada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário