Troco meu sonho de futuro
por uma fresta no muro.
Às seis da manhã estarei lá,
compenetrado,
apostando todas as fichas
na fímbria de uma frincha,
uma sombra de alívio.
Troco o mingau de meus sonhos
por algo mais nítido,
sem abrir mão de meu lugar na fila,
agora com tantos companheiros
cujo nome compartilho.
Amanhã ouviremos o veredicto
que nos iguala aqui.
Troco minha identidade
por outra que me dê sentido.
Meus desejos são bandeiras
de uma nação que já existia.
Eu, que me achava verdadeiro,
agora me submeto.
Troco meu flanco fremente
por outro de outra vertente.
E assim imbricamos as palavras
na goela de tantas veias
até onde nos deixar a verdade,
irmã do tempo.
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