domingo, 9 de junho de 2013

JOANA D'ARC

Como arde um corpo na fogueira
depois de uma noite velando,
orando por uma terra sem pecado
regida pelas crianças,
com seu sentir de que tudo é válido
enquanto houver esperança?


Como derrete um corpo
escoando para o que sempre foi:
blueprint de um corpo permanente
que um dia brilhou erguendo a espada
e não teve medo do despenhadeiro
em nome de uma secreta palavra?


E pra que precisamos de um corpo
se a fogueira é mais alta
soltando faíscas que pipocam
e parecem subir até o zênite
numa jornada que ninguém decifra
e onde somos só isso: arremate?

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