domingo, 9 de junho de 2013

MOITA

Meus cabelos trançados com os teus
formam uma moita
de algas boiando num canto da praia...
Me pergunto: eu existia antes de ti?
Existi algum dia como caminhante desavisado
costeando uma serra que não acaba nunca,
gastando sola de sapato em troca de lambujas...
Era eu realmente? Não me lembro mais.

Quando vi a penugem de teus braços
e as bochechas tão verdadeiras,
presentificando qualquer desejo
que passa a não valer mais
porque de repente vejo
que não posso mais me desgrudar
como um caramujo não existe
sem a concha que o justifica?

O mundo começou com uma divisão
que já prenunciava teu sorriso.
Meus joelhos encaixam nos teus.
Minhas mãos se entrelaçam também.
Em ti conheci um corpo estrondoso,
minha irmã de carne e osso,
garrafa solta no mar
rumando pra outro lugar.

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