(para Gérard de Nerval)
Me casei com as viuvezes.
A estrela que me restava
(aquela que aprendi com minha mãe)
se apagou de repente.
Andei por diversas avenidas,
esmoler, bebum, tentando
desafiar o estigma
que me imprimiram na testa.
Glória ao vencido! Arfei
num projeto de engenharia
de um castelo improvável
num descampado perto de Sevilha.
Interroguei meu brasão,
mas ele estava mudo. Varei
os ares daqui até a Cochinchina.
Voltei de mãos vazias.
Quando as viuvezes morrerem
serei viúvo outra vez,
acorrentado ao silêncio
fatídico do talvez.
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