Estou doente, Senhor. Meus ossos se desfazem.
Não consigo respirar. Minha boca arde.
Acho que foi há dois dias. Aquele último trago.
Quando voltei pra casa, estava tudo acabado.
Não se sente de cara. É mal disfarçado.
Mas depois começa a doer como praga.
Volta-te, Senhor, estou aqui pra louvar-Te.
No Inferno, quem mais Te louvará?
Se me salvares, toda noite lavarei minha cama
e regarei com lágrimas meu estrado.
À vista do furor, meus olhos se turvaram.
Junto a meus inimigos fui ficando grisalho.
Aparta de mim este último cálice
e livra-me dos que obram iniquidade.
O Senhor ouviu a voz de meu lamento
e meu rogo humilde no barulhão da noite
e recebeu esta oração feita em surdina.
Ele sabe e eu sei que meus inimigos
serão confundidos, pra sempre conturbados
e num instante cobertos de ignomínia.
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