O melhor que sei
é partir. Sei o que é melhor:
partir. Quando os motores acendem
e as bases trepidam,
lembretes no banco de trás,
o uníssono de nós:
que esta mensagem não seja
a próxima. E assim
sucessivamente, que amanhã seja
assim: na poltrona
ou no heliporto ou no subsolo,
apertar o cinto, o que sinto,
o que minto, o que finjo.
Partir que ninguém me avise,
eu dono de minhas alegorias,
minhas roupas, meu desgosto, mas
haverá companheiro? Não conheço
partida em conjunto. E o mundo
pode revolver enquanto resmungo.
Outras palmas irão brotar
pra enterrar as carcaças
de tudo o que poderia ter havido
mas não houve. O silêncio
não nos ouve. Partir
é medida de higiene essencial.
Partir, partilhar, palmilhar, por exemplo
quando trepidou eu sei
que outras confabulações
me fizeram mais tênue. Na verdade,
já praticamente não existo.
Sou um ser em transição.
Alguém se imiscui
e traz alarde, e em outros lugares
se faz tarde, e tudo
o que eu inocentemente quis
era uma opção de liberdade.
Comungar. Onde ontem
cunhou seu selo, meu apelo
era de um mundo mais límpido,
com melhor divisão do tempo,
nossa ambição ascensional.
Então, que seja. Rasgo
meus papéis, livro
meus nove mil livros
pra atravessar a ponte
onde cada um de nós poderia ter dito
o tão duro, mas tão doce enigma:
se partires, rasga teu peito.
Não tenhas medo. Ao partir,
que cada um diga sua parte.
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