sábado, 8 de junho de 2013

VENTOS UIVANTES

Nenhum vento é inocente.
Tem ventos que vêm de longe,
nascem de um remoinho
que parecia estancar ali,
mas num átimo se aviva,
comendo léguas.


Outros ventos assopram
coisas que vínhamos remoendo
e as levantam num leque
que parece revelar tudo.
Então, a alma respira,
o mundo parece de vidro,
e de outra realidade
não nos apartaríamos.


Tem ventos solares
que se armam como
chicotes fustigando,
castigando a carne,
derrubando casas,
separando tribos
por meio de sulcos
pra nunca serem preenchidos.


Tem ventos sibilantes
que no espaço desenham
arrependimentos,
hálitos malignos,
ventos que se interiorizam
e matam por asfixia.


Tem ventos que trazem notícias
de terras distantes
onde a felicidade
alguma vez existiu.
Tem ventos que refrescam
a têmpora ardente
e nos fazem lembrar
de alguma Beatriz.
E tem ventos que
não dizem nada: somente
que eu e tu somos vento,
soprando algum tempo
num curso a definir.

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