domingo, 9 de junho de 2013

NIEMEYER 1

(para Geraldo de Arruda Camargo Jr.)

O passado passou.
O presente são curvas.
A construção nunca termina.
Tem poros num edifício.


A curva é o caminho mais reto.
Sonho com uma cidade vencedora,
dona do umbigo construtor,
com a ajuda de mil mãos
calcadas no concreto.


As colunas parece que saíram
de um projeto de escuta,
aprendizado, labuta.


Existem duas ogivas:
uma voltada pra baixo,
auscultando o cerrado.
Outra virada pra cima,
iluminando o céu
em nossa nunca saciada
ânsia de expandir.


Em algum lugar do universo
vislumbro a (imperfeita) simetria.
Pode ser austera como álgebra,
mas tem o fervor da fantasia.


Um congresso pode ser templo.
Uma rua pode ser enigma.
Um desejo pode ser marquise
em sinuosidade lisa.


De Niemeyer já subi rampas,
ouvi falar de outras Ramblas,
mas na entrada me fiz pequeno,
palmilhando a laje extensa.


Lá dentro me senti pleno,
respirando o ar engrandecido.
Percebi que a pedra tem luzes
de próprio brilho.


Arquiteto é aquele que imagina
um mundo vazio,
e a partir daí finca
uma pedra espelho do país.

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