Senhor, preciso de cura.
Preciso de algo que dê basta
à minha interminável amargura.
A vida me foi madrasta.
Sou filho da ditadura.
Sou folha que o vento arrasta.
Minha doença não se configura.
Nenhum exame a devassa.
Mas dói como garrote de tortura.
Senhor, preciso de cura.
Sou gay. Nada há que me faça
partir pra outra rota mais segura.
Tentei me expor na praça.
Tentei me extravasar em desmesura,
mas tudo redundou em arruaça.
Meu signo é o da desgraça.
O que fazer na noite escura?
Quero levar vida casta,
desistir de toda frescura.
Mas minha doença é tão vasta!
Ser gay é mal que perdura.
Senhor, preciso de cura.
Preciso de algo que dê basta
à minha interminável amargura.
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