domingo, 23 de junho de 2013

VINAGRE 2

Azedou.

Começou como comércio de vizinhos.
Pela negociação diária
de nosso lote de compartimentos,
nossos felizes momentos,
uma cidade que avança
barriga à frente. Barriga,
não cabeça. Pão
amanheceu. Leite
talhou. Descemos as escadas
rumo ao porão: bolsa
onde nossos desejos fermentam
atiçados pelas bactérias
de aspirações mais sérias,
que beleza! O mar amanheceu
com espuma mais grossa.
O ar ficou quase irrespirável
e nós descartamos o amanhã.
E agora somos assim:
homens tentando chegar ao rés-do-chão.


Azedou.

Vizinhos se avistaram
na rede impalpável dos atos
e outros que tantos artefatos,
que beleza! Pão de Açúcar
na mesa, a eterna hipocrisia
agora na ordem do dia.
Verás que um filho teu...
Filhos, o que fiz?
Me omiti, a integridade
vendi como móvel usado
e outros fatos neguei no tapetão.
Tudo o mais ocorreu de supetão.
Já não sei onde me encontro,
mas não estou sozinho.
Os suores do atrito me banharam,
outras noções me devastaram
e agora só acredito no vasto.
Tudo o que eu vinha escondendo
escalou.


Azedou.

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