Não fazer fascina mais
do que fazer, pois deixa em aberto
tudo o mais. A vida é ramificação.
As rochas sonhavam antes de nós,
o mundo se enchia de bolhas e bulbos,
de matéria que já
pelo fazer sondava seus limites.
Mas não fazer vai além.
A sombra é luxuosa
por causa de seus subentendidos.
É mais do que complemento da luz.
É uma declaração de princípios.
Na aurora da humanidade
se enchia o mundo de gretas e grutas,
de gramíneas e gravetos
querendo deixar uma assinatura.
Mas então viemos, e o primeiro Buda
entendeu que é melhor não fazer:
contemplar. A mais longa das pontes
é a da subversão do entendimento.
Começar pelo não-princípio:
nada sabemos, a não ser
que nada sabemos, a não ser
pelo mecanismo da respiração.
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