(para Luc Besson)
Meu corpo não me pertence.
Será meu algum dia
quando eu não mais existir,
porque minha missão é faxina.
A morte é necessária.
Sou só emissário.
Em sua perfeição imaculada,
Deus nos fez nascer e morrer.
Se Deus mata, então
por que não posso matar?
Matar exige regras de balística
e a condição mental
de não fazer julgamento,
não perder tempo. Hoje
foi ontem. Vivo em preaviso,
armado até os dentes,
e meus próprios dentes são armas
com a vida à deriva,
sem nunca carregar nada
que não seja possível
descartar em segundos.
Os que querem mais
são procrastinadores.
Quem falhar tem de pagar o preço.
Quem vencer morre do mesmo jeito.
A vida é roleta.
Enquanto rolar, valerá.
E eu, ao acabar, voltarei.
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