domingo, 9 de junho de 2013

ESCREVER DEPENDE DE...

Escrever depende de
deixar a mão um pouco frouxa,
deixar a voz um pouco rouca,
a mente um pouco louca.


De nada vale escrever senão
na tentativa de outro dizer.
A realidade é nosso ancoradouro,
mas ainda há ouro a se entrever.


Escrever não depende de rima.
Música, sim, é origem.
Todo barco range e guincha. Todo
poema procura uma frincha.


Paul (aquele) queria um verso ímpar,
vago, solúvel, leve, limpo.
Um verso honesto e intransferível.

Eu procuro ser breve. O tempo urge.

O poema nos surpreende, abrupto.
Somos reféns de um minuto.
Mas (ai de nós)
será que estamos à altura?

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