Escrever depende de
deixar a mão um pouco frouxa,
deixar a voz um pouco rouca,
a mente um pouco louca.
De nada vale escrever senão
na tentativa de outro dizer.
A realidade é nosso ancoradouro,
mas ainda há ouro a se entrever.
Escrever não depende de rima.
Música, sim, é origem.
Todo barco range e guincha. Todo
poema procura uma frincha.
Paul (aquele) queria um verso ímpar,
vago, solúvel, leve, limpo.
Um verso honesto e intransferível.
Eu procuro ser breve. O tempo urge.
O poema nos surpreende, abrupto.
Somos reféns de um minuto.
Mas (ai de nós)
será que estamos à altura?
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