sábado, 8 de junho de 2013

POÉTICOS ANÔNIMOS

(para Luís Lorenzon)

No aperto do metrô nos conhecemos,
embora de maneira tão discreta.
O que somos, vestimos, temos, cremos
são só papo furado de pateta.


Na baldeação às pressas entre extremos
podemos enxergar a coisa preta.
Ombro a ombro, sem saber o que vemos,
apostamos num senso e numa meta.


"O toi que j'eusse aimée" pouco me importa,
pois daqui a pouco vai se abrir a porta
e entraremos no átrio iluminado.


É a glória sermos um nesta retorta
que se interioriza em nossa aorta
e nos transporta para o outro lado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário