(para Luís Lorenzon)
No aperto do metrô nos conhecemos,
embora de maneira tão discreta.
O que somos, vestimos, temos, cremos
são só papo furado de pateta.
Na baldeação às pressas entre extremos
podemos enxergar a coisa preta.
Ombro a ombro, sem saber o que vemos,
apostamos num senso e numa meta.
"O toi que j'eusse aimée" pouco me importa,
pois daqui a pouco vai se abrir a porta
e entraremos no átrio iluminado.
É a glória sermos um nesta retorta
que se interioriza em nossa aorta
e nos transporta para o outro lado.
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