sábado, 8 de junho de 2013

DEUS É GRANDE COMO UM OBELISCO

Deus é grande como um obelisco
apontando para o cimo.
São névoas de estrelas
e mares de plasma
e estalactites de luz,
tudo por obra de Deus
com seu manto que ofusca,
os dois dedos em sinal de bênção
e o símbolo da cruz.


Nosso chão é trêmulo.
O mundo começou com terremotos
e vai acabar com eles.
Se quiserem salvar o planeta,
salvem primeiro as zebras!
Acima de tudo, salvem as zebras!


Os seres humanos se espalharam.
Tinham fome.
Tinham sede de poder, de orgasmo, de glória.
Tomaram posse da terra.
Construíram tecnologia.
(Meu Deus, esta palavra rima com orgia.)
De que servem artefatos toscos
para uma natureza tão senhorial?
Não há nada em nós que seja universal?


Tratem de repensar os aparatos.
Tratem de trocar os sapatos.
Tratem de agir com mansidão.
Se seguirmos desejos estúpidos,
nosso planeta acabará em minutos
numa única explosão.


Deus é grande como um obelisco,
conforme já sonhavam os egípcios.
Eles enxergavam paisagens sem fim,
galáxias por sobre galáxias
e depois mais um tapete delas,
porque o universo é sem limites.
Nosso fim, aqui, é só alívio.


É só alívio por deixarmos
ao menos uma árvore intacta,
com sua seiva, sua casca grossa.
Uma árvore capaz de dizer seu nome.
Tudo aqui é sólido. Vivemos
num mundo feito não por acaso,
mas por obra e graça de Deus.


Mas a destruição vai continuar.
Nossa poesia será sempre estúpida.
As paredes não respondem às perguntas.
O primeiro primata também fez
a mesma porcaria: mastigou
o fruto da árvore proibida.


Nesse caso, só existe
uma solução: temos que recomeçar.

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